Tem dia que é noite
Lições de um gen-z sobre como sobreviver a tempestades
Em dezembro de 2025, publiquei um artigo aqui no Substack contando um plano.
Um plano ambicioso, arriscado e, por que não admitir, um tanto quanto maluco.
Tá aqui pra quem quiser ler na íntegra:
Mas resumindo:
A ideia geral era usar o Bitcoin e o caos econômico do Brasil como catalisadores pra construir uma lista de emails massiva e, no caminho, acumular um bom patrimônio em satoshis.
O mecanismo era simples de entender, mas perigoso de executar.
Eu só precisava:
Usar um pedaço do meu BTC como garantia.
Pegar dólares emprestado a 6% ao ano.
Rodar um funil de infoproduto com ROI de 1.3 ~ 1.4.
Comprar mais BTC com a receita do infoproduto.
Aumentar minha garantia pra tomar mais empréstimo, rodar mais campanhas e engordar a bola de neve.
O único cenário onde tudo podia dar errado?
Era só se o Bitcoin caísse muito e caísse rápido.
Dito isso, esse é o gráfico do Bitcoin entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026:
O negócio saiu dos $90 mil e foi direto pra faixa dos $60 mil em linha reta. Meu patrimônio (que não é muito) desabou em questão de semanas. E como eu tava com uma posição bastante alavancada por causa dos empréstimos que havia tomado, de repente agora eu precisava de caixa pra aumentar minhas margens e evitar ser liquidado — o que, pra quem não sabe, é só um nome bonito pra “perder tudo”.
Foi por isso que sumi do mapa.
Se você me acompanha faz um tempo e estranhou o silêncio, esse foi o motivo:
Eu precisava de uma grana.
E precisava pra ontem.
Então fui atrás de clientes, reativei contatos antigos, rodei novas campanhas nos clientes que eu já tinha e cortei gastos até o osso — até brinquei num email que tava comendo ratos.
Enfim.
O que eu sei é que funcionou.
Não saí ileso, mas sobrevivi e consegui aproveitar bastante o pânico do mercado pra comprar mais e mais.
E por que eu tô contando essa história?
Porque ela não tem nada a ver com Bitcoin.
Ela ilustra uma lei que vale pra qualquer coisa que você está tentando construir:
Ganhe tempo e não morra.
Pensa comigo:
Sabe aquele copywriter que perde um cliente grande e decide que a profissão não é pra ele? Morreu. O criador de conteúdo que lança um produto, vende pra 3 pessoas e abandona o projeto convicto de que o mercado não quer o que ele tem a oferecer? Morreu também. A pessoa que começa uma newsletter, publica por três semanas, não vê crescimento e some sem avisar? Idem.
Se você tira o time de campo e vai pra casa achando que o jogo acabou, você morreu.
Mas se empurrar o problema pro próximo mês?
Se faltar a prova e fazer a segunda chamada?
Se passar no cartão e não saber se vai conseguir pagar depois?
Aí você ganhou tempo.
E com tempo, você consegue resolver qualquer problema.
O que é ganhar tempo
No meu caso, ganhar tempo significou não ser liquidado.
Em vez de vender no pânico igual todo mundo tava fazendo, eu segurei a posição, respirei fundo e comprei a faca caindo. Na hora, parecia insanidade. Mas olhando agora, a única coisa que me arrependo é de não ter comprado mais.
No seu, pode significar coisas bem diferentes — mas o princípio é o mesmo: você não precisa resolver o problema hoje. Só precisa estar de pé amanhã.
E tem mais: e momentos de instabilidade, recalcular a rota é completamente diferente de começar do zero.
Quem começa do zero não tem nada.
Nenhum dado, nenhum histórico, nenhuma referência. Só o ambiente externo pra estudar, hipóteses pra testar e erros pra cometer partindo do absoluto nada. Já quem tem um projeto conhece o público, sabe o que flopa, tem contatos, clientes e uma ideia clara de onde o mercado dói.
Cada recalculada aproveita o que foi construído antes, e ao longo do tempo isso vira juros compostos de aprendizado.
Mas pra esse efeito acontecer, primeiro você precisa não morrer.
Como ganhar tempo na prática
Se você é freelancer, consultor, criador de conteúdo ou prestador de serviço, aqui estão 5 formas de levantar caixa nas próximas duas semanas:
1. Faça prospecção ativa
Soa óbvio, mas quase ninguém faz.
Não estou falando de postar conteúdo esperando que alguém apareça. Estou falando de abrir o WhatsApp, listar dez pessoas que poderiam te contratar ou te indicar, e mandar mensagem agora – ou de procurar potenciais clientes no Youtube ou Instagram e mandar mensagem. Direta, sem rodeio, sem vergonha.
A maioria das pessoas espera o cliente aparecer.
Quem precisa de caixa rápido vai atrás.
2. Reative contatos antigos
Se você tem mais de 1 ano de digital, então você deve ter um cemitério de conversas esquecidas no celular.
Ex-clientes satisfeitos.
Leads que sumiram no meio da negociação.
Pessoas que disseram “vou pensar” e nunca voltaram.
E como essas pessoas já te conhecem, a barreira de confiança é menor e o ciclo de venda é mais curto.
É só chegar e mandar:
— Oi, fulano. Tô com agenda aberta esse mês, lembrei de você :)
Vai por mim:
Uma mensagem simples e inofensiva como essa pode reabrir uma porta que você achou que tava fechada pra sempre.
3. Atualize seu perfil no LinkedIn
Se alguém procurar um profissional como você amanhã no LinkedIn, o que ela vai encontrar?
Muita gente perde oportunidade porque o perfil tá desatualizado, vago ou simplesmente feio.
Foto ruim, headline genérica, sem portfólio, sem nenhum direcionamento claro.
P#rra... se você trabalha com o digital, investe uma ou duas horas nisso.
Você pode achar o LinkedIn chato, quadrado e lotado de slop gerado por IA. E é mesmo.
Mas quando empresas precisam de uma habilidade e não conseguem uma indicação do próprio time, é lá que elas procuram.
4. Aplique para vagas no LinkedIn
Freelancer volta a virar CLT?
Não necessariamente.
Mas a maioria das empresas hoje contratam PJ, projeto, consultoria pontual.
E outra:
Tem vaga que vira cliente, tem processo seletivo que vira conversa, que vira proposta, que vira dinheiro no mês. Às vezes ganhar tempo significa aceitar um formato temporário que você não faria na CNTP. Não feche essa porta por orgulho.
Dinheiro é dinheiro.
Sendo lícito, os bancos não querem saber de onde vem.
5. Faça uma oferta relâmpago pra sua lista de emails
Por mais que eu recomende pra todo mundo, nem todo copywriter tem uma lista de emails – então essa quinta estratégia só funciona pra quem tem audiência, mesmo que pequena.
A lógica é simples:
Crie uma oferta diferente da habitual com tempo limitado e preço especial.
Ofereça pra sua lista mandando 1-2 emails por dia durante a promoção.
— Ah Gui, mas eu não tenho produto nenhum pra vender
Pode ser um serviço pontual, uma revisão, uma auditoria, uma sessão estratégica de uma hora.
Você tem tempo e conhecimento.
Pergunta o que eles querem, conversa com quem responder (por email mesmo), coloca um prazo, coloca um limite de vagas, manda pra lista e abraço.
Você não precisa de 50.000 assinantes pra isso funcionar.
O segredo está na demanda por aquela oferta e a urgência do prazo.
Bom, espero que tenha gostado do conteúdo.
Se você tá numa situação de tempestade e com a sensação de que tudo pode desabar a qualquer momento, primeiro respira.
Pra pensar, o cérebro precisa de oxigênio.
Então, para, respira fundo e aí sim começa a pensar em como c#ralhos você vai resolver as coisas. Porque pra tudo tem jeito. Se você tá vivo e lendo esse texto, então tem jeito.
E se você quer aprender mais sobre como ganhar a vida escrevendo para a internet, todo dia eu mando um email com uma história, um insight ou uma estratégia pra te ajudar a construir carreira nesse mundo.
Para recebê-los direto na sua caixa de entrada (eles não ficam públicos no Substack), basta se inscrever aqui:
Meus próximos passos?
A saga que comecei naquele artigo ainda não acabou.
Ainda pretendo acertar um novo produtinho no tráfego pra ver como a estratégia que bolei se comportaria em um cenário mais calmo. Com o mercado desabando, não deu pra fazer absolutamente nada do que eu tinha planejado – tive que investir cada fração do meu tempo em fazer dinheiro pra não levar a temida chamada de margem. Porém, com o mercado virando (ou, no mínimo, se acalmando), devo voltar em breve com esse projeto.
Mas é isso, meu caro.
Tem dia que é noite.
E se você perdeu o início dessa história, você pode ler aqui:
Meu plano pra ficar geracionalmente rico até 2035
DISCLAIMER: EU NÃO SOU UM PROFISSIONAL DE FINANÇAS E ISSO NÃO É UMA RECOMENDAÇÃO DE INVESTIMENTO. PELO CONTRÁRIO, É SUICÍDIO FINANCEIRO. NÃO FAÇA ISSO EM CASA.







Cara, excelente texto. Larguei um concurso público de elite no Brasil para vir empreender na internet. Eu era capitão do Exército. Concordo com sua lógica de ganho de tempo. Você está no caminho certo. Vejo muita gente com zero noção sobre o panorama econômico que levam ativos como Bitcoin a despencaram, bem como a crise a caminho do Brasil e do mundo nos próximos anos.
O fato de você conseguir sobreviver com suas habilidades é essencial para o futuro do trabalho. Tenho certeza que você está bem consciente disso.
Mais uma vez, parabéns.
Que incrível, depois vou ler com mais atenção, adorei as sugestões e meu amigo, parabéns! Volto para dizer o que deu certo.